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O Desafio 2019: Mercado, Tecnologia e Pessoas

Mercado, Tecnologia e Pessoas. Foram estes os três pilares d’ ”O Desafio” lançado por Massimo Forte e Gonçalo Nascimento Rodrigues. Na sua segunda edição, o evento encheu a Sala Auditório do Pólo Tecnológico da LISPOLIS com 500 profissionais do imobiliário, entre eles 50 consultores, directores comerciais e recrutadores do Grupo RE/MAX Latina.
O mote para este evento é a consciência da mudança e dos desafios que com ela traz para quem vive no e do mercado imobiliário. Debater e perspectivar o futuro entre pares e parceiros tendo em conta as especificidades do mercado português e os factores externos que influenciam a actividade imobiliária, mas também um olhar introspectivo sobre o que podemos nós fazer para enfrentar os desafios e reduzir impactos negativos.
Nos três painéis correspondentes às três temáticas centrais, os organizadores do evento foram moderadores (e provocadores) dos convidados e especialistas, dando mais vozes e tons aos assuntos debatidos.
A visão sobre o mercado é sobretudo optimista, com soluções e visões que representam crescimento e boas perspectivas para a actividade das agências imobiliárias e dos seus consultores.
Fernando Costa – Director Geral da promotora imobiliária Nexity – vê na classe média uma grande oportunidade para a correcção dos preços do mercado, com a construção de nova habitação a preço, como alternativa à compra de imóveis em segunda mão e contrariando a tendência eufórica do mercado de que com o aumento da procura “tudo se vende”. A consolidação de um verdadeiro mercado de arrendamento é vista também como uma oportunidade e um segmento que carece de exploração efectiva.
Na perspectiva de Bernardo D’Eça Leal – co-fundador da “The Independent Collective”, um grupo de hospitalidade criativa com hostels e guest houses de luxo – o turismo continuará a representar uma porta de entrada e peça fundamental na atração de investimento, prevendo que em breve o potencial turístico e de investimento já identificado em Lisboa e no Porto terá um “spill over effect” para cidades mais pequenas, aumentando, consequentemente as oportunidades de investimento.
O segundo painel da manhã juntou especialistas em tecnologia e tecnologia aplicada ao mercado imobiliário. O progresso tecnológico é visto por muitos como uma ameaça à profissão do consultor imobiliário, sendo a grande e transversal questão se haverá um momento em que o papel do mediador passe a ser absolutamente dispensável.
Pedro Janela, fundador e CEO da WYGroup – o mais radical na sua posição relativa a potencial eliminação do contacto humano nas transacções imobiliárias – considera que a principal vantagem da preponderância de um mercado imobiliário tecnológico elimina complexidade ao processo, o que cria para o comprador um valor imensurável: tempo.
Todos os participantes consideraram que, pelo menos numa perspectiva da geração de consultores imobiliários que estão actualmente no mercado, os avanços tecnológicos não irão representar uma substituição total do papel do consultor, funcionando antes como uma ferramenta para aumentar a eficiência do seu trabalho. A substituição do humano não é um objectivo e sua criatividade é a peça fundamental no desenvolvimento tecnológico ao serviço de uma maior transparência e informação limpa que reforce o papel do consultor imobiliário como especialista na análise e utilização dessa informação em benefício do cliente.
Não pondo de lado que a tecnologia e a inteligência artificial venham a ganhar terreno no mercado imobiliário mudando fundamentalmente o seu funcionamento e a profissão de consultor imobiliário, a conclusão generalizada é de que, nas palavras de Massimo Forte, mesmo num mundo tecnológico e robotizado, nada substitui o contacto humano, assumindo que “o luxo do futuro é a relação humana”.
A temática da tecnologia acaba por trazer, na eterna oposição humano vs robot, a terceira temática do dia ao centro da discussão: as pessoas.
Focando-se no papel do consultor imobiliário, este painel procurou pensar quais são as características de um bom profissional e que o irão tornar indispensável ao longo do tempo no processo de transacção imobiliária. A profissionalização, a formação e a capacidade de acrescentar valor à experiência do cliente são as peças fundamentais. As palavras-chave são a confiança e a credibilidade,  aliadas à criatividade e adaptabilidade num mercado em permanente evolução.
A criação de uma marca pessoal que gere identificação e referenciação ocupará, também, na opinião de Maria Duarte Bello – especialista em Coaching e Gestão de Imagem – um papel central na diferenciação e importância do consultor imobiliário num mercado que se prevê cada vez mais profissional e competitivo.
A manhã deixou no ar muitas questões mas também possibilidades e perspectivas que apontam para um futuro risonho para o mercado e para as profissões a ele associadas, desde que todos saibamos desempenhar o nosso papel em conformidade com as mudanças e desafios que nos continuarão a ser apresentados.
“Para onde vamos?” será sempre uma das questões mais fundamentais de qualquer mercado ou organização e, por isso, está já prometida uma terceira edição d’ “O Desafio” para 2020.